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sábado, 14 de abril de 2012

Carta do Bispo Dom José Luiz Azcona sobre as próximas eleições

Queridos irmãos e irmãs:

Diante das próximas eleições envio esta carta aos fiéis da Igreja Católica e a todos os marajoaras de boa vontade.
O Bispo e com ele a Igreja, pode e deve em todo momento pregar a fé com autêntica liberdade, “ensinar a doutrina de Cristo sobre a sociedade, realizar sua missão sem impedimento algum e emitir juízo moral, inclusive sobre matérias que se referem à ordem políticas quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas”. (GS 76)

Numa Prelazia como a nossa onde os direitos fundamentais da pessoa são escarnecidos, a dignidade humana é sistematicamente desprezada e o abandono do estado é quase total, a Igreja, para cumprir adequadamente sua missão em obediência a Cristo, seu único Senhor, trata de oferecer luz para a formação da consciência no exercício do direito a voto nas próximas eleições.

Esta carta é, portando, aplicação do Evangelho a nossa realidade marajoara no exercício do meu ministério episcopal recebido de Jesus Cristo.

A moral constitui uma dimensão essencial da evangelização. Sem a coerência ética especialmente no tempo das eleições, perdemos nossa identidade cristã e agimos como se Deus não existisse. Numa palavra, votar de modo imoral é uma ofensa gravíssima contra Deus com impactos de morte no homem, na sociedade e especialmente nos pobres. No Marajó, abandonado pelas autoridades brasileiras esse pecado é especialmente odioso. Denuncia uma perversão grave da consciência ética e uma profunda perda dos sentimentos humanos
“VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIA”. Assim como não tem preço a vida humana, sua dignidade, sua condição de imagem e semelhança de Deus, e por isso não se pode vender nem comprar homens nem mulheres, assim tampouco se pode comprar nem vender o voto porque deste  depende o emprego, a alimentação, a alfabetização...  numa palavra, a dignidade e a vida humana. Por isso é um crime hediondo, injustificável, um verdadeiro crime contra a humanidade.

Neste sentido as eleições deste ano supõem um exercício de cidadania e de consciência ética e cristã especialmente crítico.  A grave inclinação para o abismo que está assumindo a sociedade marajoara de um modo cada dia mais acelerado a nível social e ético, nos exige um esforço enorme “para resgatar à luz do novo pentecostes resgatar a dignidade do Marajó num esforço constante por uma libertação integral do mesmo para construir um povo justo e fraterno” (4ª Assembléia do Povo de Deus do Marajó). As eleições desse ano devem ser o termômetro para medir nossa fidelidade a essa Assembléia cuja terceira prioridade pastoral é “a ação sócio-política” da Prelazia do Marajó, sobretudo tendo em conta que o nosso Estado do Pará, ausente por completo do Marajó e das suas causas repete hoje o abandono secular da nossa região marajoara.
Já nas anteriores eleições o Bispo do Marajó assumia um posicionamento claramente negativo com relação aos candidatos protestantes depois de uma longa experiência confirmada sem exceções em que a autoridade protestante no Marajó:
1. Marginaliza sistematicamente as comunidades católicas.
2. Não governa em nome da cidadania, mas em virtude do preceito de seita.
3. Em contra diretamente do espírito e da letra da Constituição Brasileira.
4. Realiza uma nova identificação prática entre interesses econômicos e política de determinadas seitas com o Reino de Deus.
Este posicionamento do Bispo do Marajó com relação aos candidatos protestantes segue plenamente vigente.
De modo orientativo a 4ª Assembléia do Povo de Deus do Marajó, afirmou que o voto deve ser dado a católicos “ética e profissionalmente idôneos”, é dizer, que apresentem um comportamento moral digno e estejam profissionalmente preparados. Uma pertença a Igreja puramente nominal ou um comportamento completamente alheio a ética, desqualifica também com toda evidência o candidato católico.

Dos candidatos se deverá exigir um posicionamento claro contra o aborto, matrimônio de gays e adoção de crianças por estes. Sabemos que, por exemplo o ‘PT’ e o ‘PV’ são partidos que defendem no seu Estatuto a implantação do aborto no Brasil.

A  criação, mobilização e articulação das Comissões de Justiça e Paz, nas paróquias se impõe para impedir o vandalismo eleitoral que impera no Marajó. Talvez possamos dar algum treinamento específico a estas Comissões Paroquiais.

Tudo isso entra no objetivo e prioridade terceira da IV Assembléia. Cada Paróquia deveria impedir o vandalismo eleitoral que impera no Marajó.

Chegou a hora da “ficha limpa”, de se posicionar abertamente contra corruptos e políticos instalados, de um modo ou de outro inimigos do Marajó e do seu desenvolvimento integral. Um bom marajoara não foge a luta.

É hora de oração, de oração intensa pela fidelidade pessoal à própria consciência. Oração  pelas nossas autoridades: “Antes de tudo se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graça por todos os homens, pelos reis e por todos os que detêm a autoridade a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda piedade e dignidade” (Cfr.1 Timóteo 2,1-2).

Com minha benção episcopal.
Soure, 14 de abril de 2012

†Dom José Luiz Azcona
Bispo Prelado do Marajó